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O mundo “civilizado” e suas concepções esteriotipadas em torno das populações indigenas

Foto do escritor: A Folha do Vale - Jornal e Site
A Folha do Vale - Jornal e Site
4 de set. de 2017
2 min de leitura

Em pleno século XXI, há ainda quem acredite que os povos indígenas constituem uma classe social que detém uma posição de “inferioridade” em relação à chamada sociedade “civilizada”. É óbvio que nem todo mundo compactua desta visão; mas também não se pode negar que há muita gente por aí que compartilha de tal pensamento.


Isto certamente decorre de dois fatores principais, a saber: o preconceito e a desinformação. Ora, sabe-se que, desde os primórdios da colonização portuguesa, difundiu-se pelo território brasileiro uma imagem distorcida acerca daquelas populações, concebendo-as como “primitivas” e “atrasadas”.


Ao adotarem tal discurso, pretendia-se justificar o processo de dominação cultural que, logo mais, haveria de se impor sobre aqueles povos, sob o pretexto de torna-los “civilizados”. Na verdade, tratou-se aí de uma estratégia que, em última instância, visava camuflar as verdadeiras intenções dos colonizadores, cujos interesses estavam relacionados à exploração das riquezas naturais existentes nesta Terra de Santa Cruz.


A fim de levarem adiante seu projeto colonialista, os recém-chegados ao novo continente não hesitaram em pegar em armas para enfrentar a resistência oferecida pelos autóctones, promovendo-se o extermínio de mais de cinco milhões de índios que aqui viviam[1]. Também contaram com o apoio dos missionários católicos, que se dispuseram a convertê-los à fé cristã, a fim de “salvar” suas almas e de integrá-los à sociedade envolvente.


Neste sentido, há de se destacar aqui os trabalhos realizados pelos padres jesuítas, responsáveis pelo intenso processo de catequização e de aculturação dos autóctones. Após mais de cinco séculos de negação dos seus valores e saberes culturais, como haveríamos de esperar um posicionamento diferente daquele manifestado pela maioria dos nossos pares em relação àqueles povos?


Portanto, fica aí o desafio de tentarmos enxerga-los para além dos estereótipos que, infelizmente, ainda pairam sobre o imaginário coletivo acerca dos primeiros habitantes destes territórios nos quais estamos situados...


Autor: Anderson Martins

Formado em Filosofia pela Faculdade Jesuíta (Belo Horizonte), com especialização em Metodologia do Ensino de Filosofia pela Faculdade da Lapa (Curso EAD) e está concluindo o Mestrado em Educação pela Universidade Federal de Mato Grosso. Trabalha como professor junto ao Instituto Federal de Mato Grosso – Campus Juina.

[1] VEIGA, Cynthia Greive. História da Educação. São Paulo: Ática, 2007, pp. 55 e 56.

 
 
 

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