A comunidade Rikbaktsa e seu pioneirismo no campo da educação escolar

Acredito que grande parte dos juinenses conhecem ou, pelo menos, já ouviram falar dos índios Rikbaktsa, também conhecidos como Canoeiros. Talvez o que muita gente ainda não sabe é que estamos nos referindo aqui ao primeiro grupo indígena desta região a introduzir o ensino escolar em seu cotidiano. Este fato se deu em meados do século XX, após alguns membros daquele povo terem sido conduzidos pelos jesuítas até o Internato de Utiariti, onde tiveram início ao processo de alfabetização. Aliás, convém ressaltar que este episódio é decorrente dos conflitos travados entre os índios e os seringueiros no vale do Juruena. Com isto, várias crianças acabaram perdendo seus pais e isso teria motivado os missionários a abriga-las naquele centro de formação.
Mais tarde, ao retornarem para junto do seu povo, aqueles indivíduos passariam a incentivar os seus pares a aderirem ao processo de escolarização, com o intuito de facilitar seu contato com a sociedade envolvente. Em 1966, a comunidade Rikbaktsa decidiu implantar a primeira escola numa de suas aldeias (Barranco Vermelho), confiando os trabalhos relacionados às atividades escolares a um grupo de religiosas pertencentes à Congregação das Irmãzinhas. Estas sempre estiveram juntas com os jesuítas em seus empreendimentos missionários, desde que os mesmos foram convidados pelo Prelado de Diamantino para “pacificar” as populações indígenas existentes no interior do Estado de Mato Grosso[1].
Aos poucos, os próprios índios passariam a ocupar o lugar dos seus colaboradores, no sentido de que eles resolveram assumir a responsabilidade pela formação escolar já em curso junto às suas aldeias. Em 2001, alguns membros daquele povo foram convidados a ingressar no curso de Licenciatura Intercultural ofertado pela UNEMAT, cuja experiência acabou fortalecendo ainda mais o seu engajamento no campo educacional.
Atualmente, existem cerca de vinte professores Rikbaktsa com formação em nível superior, sem contar aqueles que já conquistaram o título de pós-graduação (lato sensu) em alguma área do conhecimento humano. No passado, eles costumavam recorrer ao uso do “arco-flecha” para enfrentar seus inimigos; agora a principal arma utilizada pelo referido povo na luta em defesa dos seus direitos passou a ser a “caneta”, conforme observou certa vez o professor Paulinho Skiripi.
[1] Cf. DORNSTAUDER, João Evangelista. “Como pacifiquei os Rikbaktsa”. Instituto Anchietano de Pesquisas: São Leopoldo, 1975.

Autor: Anderson Martins
Formado em Filosofia pela Faculdade Jesuíta (Belo Horizonte), com especialização em Metodologia do Ensino de Filosofia pela Faculdade da Lapa (Curso EAD) e está concluindo o Mestrado em Educação pela Universidade Federal de Mato Grosso. Trabalha como professor junto ao Instituto Federal de Mato Grosso/ Campus Juína.





































































Comentários