José Riva surpreende e entrega lista de 34 que recebiam propina

O que era para ser uma audiência “morna”, para ouvir a já prevista confissão do ex-deputado José Riva sobre a investigação relacionada à Operação Imperador, que apura desvios de recursos públicos na Assembleia Legislativa, se tornou o estopim de um escândalo que, posteriormente, veio a ser confirmado, até mesmo, na delação do ex-governador Silval Barbosa.
Na ocasião, no Fórum de Cuiabá, José Geraldo Riva mudou abruptamente o assunto para o qual foi convocado a falar e entregou para a juíza Selma Arruda uma lista contendo o nome de 34 representantes políticos envolvidos com a corrupção, grande parcela receberam valores milionários na gestão do ex-governador e atual ministro da agricultura, Blairo Magi (PP).
De acordo com o ex-presidente da Assembleia Legislativa o esquema de compra de apoio dos deputados ocorria desde a gestão do falecido Dante Oliveira.
Apenas de 2005 a 2008, segundo José Geraldo Riva, o governo de Blairo Maggi teria repassado um total de R$ 37,5 milhões para maioria dos representantes políticos da época.
“Nesse período [2003 a 2004] foram movimentados R$ 1,1 milhão. Em 2005 aumentou para o valor de R$ 3,4 milhões. No ano seguinte passou para R$ 6 milhões, e em 2007, na gestão do presidente Sérgio Ricardo, o valor passou para R$ 12 milhões. Enfim, os valores sempre subiram no decorrer dos anos”.
Na audiência citou nome dos 34 deputados envolvidos em esquemas fraudulentos: o ex-deputado e ex-governador Silval Barbosa; o ex-deputado e atual conselheiro afastado do TCE, Sérgio Ricardo; os deputados Mauro Savi, Dilceu Dal Bosco, Pedro Satélite, Sebastião Rezende, Zé Domingos, Guilherme Maluf, Gilmar Fabris, Wagner Ramos, Adalto de Freitas; o ex-deputado e atual secretário adjunto da Casa Cívil, Carlos Brito; o ex-deputado e atual conselheiro do TCE Campos Neto; os ex-deputados Nilson Santos, Airton português, Eliene Lima, Maksuês Leite, Adenir Bruneto, João Malheiros, Zeca D´ Ávila, Nataniel de Jesus, Antônio Brito, José Carlos de Freitas, João Malheiros e Renê Barbour; o ex-conselheiro do TCE Alencar Soares; o ex-deputado e ex-secretário de educação, Carlão Nascimento; o ex-deputado e ex-prefeito de Várzea Grande, Wallace Guimarães; o ex-deputado e ex-prefeito de Rondonópolis, Percival Muniz; o ex-deputado e ex-conselheiro do TCE, Humberto Bosaipo; o ex-prefeito de Sinop, Juarez Costa; ex-deputado e ex-prefeito de Cuiabá, Chico Galindo; a ex-deputada e ex-vereadora Chica Nunes e o já falecido ex-deputado Walter Rabello.
De acordo com a delação do ex-presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, José Geraldo Riva, no final do governo de Dante muitos temiam parar de receber o ‘mensalinho’.
“Grande parte dos deputados vieram me procurar para saber se ainda continuariam recebendo propina da mesma forma que estava acontecendo no governo anterior, que era restrito à bancada. Nessa época fui um dos responsáveis pela distribuição das propinas aos deputados junto com o ex-governador Silval Barbosa (PMDB).
O esquema continuou acontecendo no período em que Silval Barbosa foi eleito governador, nesse tempo o ex-secretário de finanças da Assembleia Legislativa, Edemar Adams (in memorian) ajudava na distribuição.
O ex-presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso apresentou várias provas dos crimes de improbidade administrativas feitas pelos parlamentares, pois firmou um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR).
Antes de Riva iniciar o processo de delação dos deputados corruptos, o ex-governador Silval Barbosa descreveu a ocorrência de episódios idênticos em sua gestão, o que veio a se confirmar pelo Ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo Silval Barbosa, Blairo Maggi pagava um mensalinho de R$ 30 mil reais por mês, e ainda em sua gestão, o valor subiu para R$ 50 mil reais, além disso, recebiam outra vez o mesmo montante. Esse dinheiro vinha de esquemas de empresas no período da Copa.
Muitos desses representantes corruptos foram gravados pelo assessor de Silval Barbosa, Silvio Araújo, recebendo propina, um escândalo horripilante que abalou a sociedade brasileira.
Citados Negam
Alguns desses políticos mencionados, mesmo diante das inúmeras provas, vieram tentar negar para a população, vários utilizaram as mesmas argumentações, “consciência tranquila”, “nunca fiz nada de errado”, “era pagamento de dívidas”, etc... Numa tentativa desesperada de permanecer enganando o povo, em especial os menos favorecidos, sem capacidade de compreender o contexto social.
O conselheiro Sérgio Ricardo afastado do TCE, disse “nunca recebi ‘mensalinho’ ou qualquer outro recurso que não fosse o previsto em lei. Tinha salário, verba indenizatória e suprimento de fundos, recursos que eram suficientes para conduzir minha vida política e particular”.
Por: Lucas Rodrigues do Mídia News


































































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