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Sem espaço, cemitério na Grande São Paulo abre sepulturas em calçadas

Foto do escritor: A Folha do Vale - Jornal e Site
A Folha do Vale - Jornal e Site
28 de dez. de 2017
2 min de leitura

Por falta de espaço, o cemitério da Saudade, em Mogi das Cruzes (Grande SP), tem aberto sepulturas em espaços que antes eram calçadas. Em algumas quadras, as covas foram abertas em frente a túmulos antigos, impedindo o acesso até eles.

A abertura das novas sepulturas começou em setembro, pela data marcada nas cruzes, na região da quadra 112. Lá, a reportagem verificou que cerca de 20 novas covas foram abertas em frente a 33 túmulos mais antigos.

Assim, se alguém quiser se aproximar dessas sepulturas, precisará subir sobre as que foram feitas recentemente.

Segundo funcionários, que pediram para não serem identificados, a ordem veio da direção do cemitério da Saudade, como opção à falta de espaço para novas covas. “Dá até vergonha mostrar isso para o familiar de um morto”, disse um deles.

Na quadra 14, por exemplo, seis covas foram abertas em frente a outros túmulos. Neste ponto, as sepulturas datam do fim de novembro e começo de dezembro. A maioria delas ainda não tem acabamento de cimento e é identificada com uma cruz.

O cemitério da Saudade conta com cerca de 9.000 jazigos e é um dos três espaços públicos para sepultamento na cidade – há ainda um cemitério particular.

Outras covas também foram abertas em calçadas de várias quadras do cemitério, mas sem impedir o acesso às sepulturas antigas.

Esses túmulos foram colocados no fim e no início das quadras, junto a postes, árvores e lixeiras. Nesses casos, é possível ver que os novos espaços têm, em média, cerca de 75 cm de largura, enquanto os mais antigos medem 1,30 m.

Além dos túmulos em calçadas, o que mais chama a atenção de quem visita o cemitério da Saudade é a falta de corte da grama.

Há mato alto entre os jazidos, no pouco espaço que sobra para as pessoas circularem entre os túmulos, e dentro de algumas sepulturas que têm o entorno do concreto e o meio de terra. Em alguns locais o mato chega a ter mais de 50 cm de altura, encobrindo jazigos.

Segundo funcionários, com o período de chuvas, a vegetação cresce mais rápido e a equipe disponível para capinagem não dá conta de manter todo o cemitério com o mato cortado.

Ação Excepcional

A prefeitura de Mogi das Cruzes diz que a abertura das sepulturas em frente aos jazigos é uma “ação excepcional” para atender “demanda específica e urgente”. O cemitério realiza cerca de 165 enterros por mês ante 150 exumações.

Para tentar solucionar esse problema, a administração informou que estão sendo criados novos jazigos e a retomada de túmulos em estado de abandono. A prefeitura afirma que as sepulturas não ficarão em frente aos túmulos de maneira permanente e que os espaços mais estreitos destinam-se aos corpos de crianças.

Sobre os serviços de manutenção, a administração diz que há ações contínuas de capinagem e combate à dengue.

 
 
 

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