• Carlos Palmeira

Mato Grosso encerra o ano com gás mais caro do país e tem ligeira queda este mês

Mato Grosso registrou no final do ano passado um aumento acumulado de 24,4% no preço do botijão de gás de cozinha de 13 kg na comparação com o final de 2016. Na última semana de 2017, os mato-grossenses estavam encontrando o GLP (gás liquefeito de petróleo) a uma média de R$ 96,47, enquanto no mesmo período de 2016 a cotação estava em R$ 77,52.

A dona de casa Mary Rosa, de 59 anos, que mora em São Paulo e está em período de férias na Capital (Cuiabá) afirmou aos jornalistas do RdNews que pensa ser “um roubo” o preço do gás de cozinha na Capital mato-grossense. Ela conta que pagou R$ 70 na última vez que comprou um botijão em São Paulo (SP), sendo que é possível encontrar o produto até R$ 65 se a pessoa for buscar diretamente na distribuidora.

“Nem acreditei quando fiquei sabendo que o botijão custava perto de R$ 100 reais aqui, além de ser caro, nem entendi bem o porquê desse valor elevado, até perguntei ao pessoal da revendedora. É um absurdo”, exclamou.

O vigilante Gilson Andrade Ferreira, de 39 anos, mora no Altos da Serra em Cuiabá e também reclama dos aumentos. Ele destaca ainda que o alto preço do gás está pesando no bolso do consumidor. “Pesou bastante. O salário sobre só um pouquinho, R$ 17 reais, entretanto, o gás e demais coisas somente aumentam o valor”, disse.

Como já era verificado pelo menos desde setembro, Mato Grosso (MT) fechou 2017 com o GLP (gás liquefeito de petróleo) mais caro do país. Em seguida consta Tocantins, com um valor médio de R$ 85,17, em seguida Roraima R$ 80,17. Na Bahia, o GLP estava com valor mais acessível, calculado numa média de R$ 60,61.

Os preços são levantados semanalmente pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e estão disponíveis em seu último boletim. Nos últimos 7 dias do ano recém terminado, foram encontrados botijões de 13 kg até por R$ 106, sendo que o valor mínimo localizado no Estado foi de R$ 70 reais.

O alto preço do produto em Mato Grosso (MT) foi puxado pelo valor cobrado em Várzea Grande, cuja média do botijão era R$ 100. Do outro lado da balança, Cáceres tinha o GLP mais em conta, a R$ 85,20. Em Cuiabá, os moradores encontram o produto no valor de R$ 84,71, já em Várzea Grande, R$ 80,75.

FATORES DE ENCARECIMENTO

Vinícius Botura, tesoureiro do Sindicato das Empresas Revendedoras de Gás da Região Centro-Oeste (Sinergás), argumentou aos jornalistas do RdNews que em Mato Grosso (MT), os fatores como a distância, já que o gás vêm de Paulínia (SP), a mais de 1,4 mil km de Cuiabá, acabam encarecendo o frete, isso sem contar o envio dos botijões para as outras localidades do Estado de grande dimensão geográfica.

O representante da entidade, salienta porém, que o principal “vilão” dos aumentos ocorridos ano passado é outro. Ele comenta que o anúncio da Petrobras de rever os preços dos combustíveis várias vezes por mês foi uma decisão inesperada e complicada para o setor. A estatal justificou a decisão, tomada em junho de 2016, que o fato iria parear os preços cobrados no país com os do mercado internacional.

“No total, houve uma alta de 62% no preço para as engarrafadoras, sendo que somente 12% do aumento foi repassado para o consumidor. A Petrobras já sabe que isso causou muita dificuldade para o setor e está revendo essa política”, pontua Vinícios.

2018

A respeito das seguintes altas, o produto iniciou 2018 com uma queda de 2%. Até sábado passado (06/01) o GLP podia ser encontrado no preço médio de R$ 94,51 em Mato Grosso (MT). Apesar dessa cotação, os moradores de Alta Floresta não encontraram no período um botijão a menos de R$ 100 reais. No município os pesquisadores da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) calcularam que o preço médio do gás de cozinha era de R$ 110,33, sendo que o mínimo ficou em R$ 108 e o máximo em R$ 115 reais.

Em Cáceres, o ano começou registrando o valor mais baixo do Estado, ao contrário do verificado no final do ano passado. Segundo a ANP, a média do botijão na cidade do Centro-Sul Mato-Grossense ficou em R$ 83,25. Nesse caso, o mínimo encontrado foi de R$ 80 reais e o máximo ficou no valor de R$ 90 reais.

O tesoureiro do Sinegás pontuou que esse ano deve ser menos “turbulento” para os consumidores e distribuidores do gás de cozinha, defendeu que o preço alto pelo menos fez com que a população pensasse em modos de economizar, assim como é feito em tempos de crise com relação ao fornecimento da energia elétrica.

“Esperamos um ano mais tranquilo, e estamos mobilizados para que a Petrobras reveja a política de revisão dos preços. Estamos deixando claro que essa situação pesa demais para os consumidores. Tentamos nem impactar a população com esses prejuízos porque o negócio acaba tornando-se péssimo para nós também” finalizou.

Por: Carlos Palmeira

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