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Audiência pública debate impactos dos agrotóxicos em Mato Grosso

Os impactos dos agrotóxicos na saúde e no meio ambiente de Mato Grosso foi tema de uma audiência pública realizada na tarde desta quinta-feira (4), na Assembleia Legislativa. Foram apresentados dados da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) que apontam que Mato Grosso é o maior comprador de agrotóxicos do país e desponta no consumo de herbicidas, especialmente o glifosato (herbicida sistêmico de amplo espectro e dessecante de culturas).

“Dos vários impactos da cadeia produtiva do agronegócio, os de maior relevância para a saúde e ambiente são as poluições e intoxicações agudas e crônicas relacionadas aos produtos. A audiência proporcionou ouvir várias partes interessadas em melhorar esse choque entre população e meio ambiente”, destacou o autor da audiência pública, deputado Lúdio Cabral (PT), esclarecendo também que a intenção do debate é tratar alternativas para elaborar projetos de lei relacionados ao tema.


O evento, dividido em palestras e debates, teve como primeiro palestrante o professor da UFMT Wanderlei Pignati, que fez uma explanação de como estão os principais municípios produtores de grãos no estado no quesito de pessoa/litros de agrotóxicos consumidos.


Uma pesquisa da UFMT comprova que o uso de agrotóxicos em Mato Grosso foi superior a 207 milhões de litros somente em 2018. Desse total, 150 milhões de litros, 97% foram empregados no cultivo de algodão, soja, milho e cana-de-açúcar. Os municípios da Bacia do Juruena foram escolhidos por estarem entre os maiores produtores agrícolas do estado: plantaram 1,8 milhão de hectares e utilizaram, juntos, 18,6 milhões de litros de agrotóxicos.


“Muitos agrotóxicos utilizados no Brasil são proibidos na Europa. Falta fiscalização mais eficiente para diminuir ou controlar o uso desses inseticidas”, destacou Pignati. O professor apresentou números considerados alarmantes; no país, 504 tipos de agrotóxicos são liberados para uso. Desses, 30% são proibidos na União Europeia, onde é permitido usar até 2 quilos de glifosato por hectare. Já a média brasileira fica entre 5 kg e 9 kg. Entre 2009 e 2014, o consumo subiu 64%, passando de 118 mil toneladas para 194 mil.


“Em Mato Grosso, foram 191.439 toneladas entre 2012 e 2014, o correspondente a média anual de 12,23 a 16,69 quilos por hectare. Isso é preciso mudar”, afirmou Pignati.


O Brasil completou em 2018 seu décimo ano na liderança do ranking de maior consumidor de agrotóxicos do planeta. Todos os anos, são consumidos 7,3 litros de veneno para cada um dos habitantes do país, volume que em 2017 resultou em 11 registros de intoxicação por exposição a agrotóxicos, por dia.


“Procuramos estudar os impactos negativos da utilização indiscriminada dos agrotóxicos, inclusive seu contato como causa de suas doenças, como câncer. Buscamos também observar essas relações entre o uso indiscriminado desses inseticidas e traçar estratégias para que os impactos negativos não ocorram, ou, ao menos, minimizá-los ao máximo”, disse o procurador-chefe do Ministério Público do Trabalho, Rafael Mondego Figueiredo.


Na avaliação do procurador, em um país com grandes fronteiras agrícolas, o uso em larga escala deste tipo de produto é preocupante. “Em Mato Grosso existem pesquisas da UFMT que apontam resíduos de agrotóxicos em urina e sangue de alguns trabalhadores no Vale do Juruena. Temos que trabalhar com conciliação de interesses, mas a saúde humana não pode ser deixada de lado”, disse ele.


Outro fator que impressiona o promotor de Justiça de Diamantino, Daniel Balan Zappia, está relacionado a números de consumo/ano de veneno por pessoa, que é de 64,2 litros de veneno anualmente. “Ingerimos diversos agrotóxicos diariamente e durante a vida inteira”, explicou o promotor.


Por: José Luis Laranja/ Secom

Foto: Helder Faria

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