• Academia Brasileira de Gnose

Onde começa o trabalho espiritual


Em Gnose se diz que o primeiro grande passo é o despertar da consciência. Isso equivale ao estado de iluminação . Se alguém está determinado a alcançar a iluminação, qual é o método mais eficaz a ser praticado?


Para muitos buddhistas, o método mais importante ou eficaz para obter ou alcançar a iluminação, é contemplar a mente. A mente é a raiz da qual todas as coisas nascem. Se você puder entender a mente, tudo o mais está incluído. É como a raiz de uma árvore: todas as frutas, flores, galhos e folhas de uma árvore dependem da raiz. Se você alimentar a raiz da árvore, ela cresce e se desenvolve. Mas, se você cortar a raiz da árvore, ela morre.

Aqueles que entendem ou descobrem a natureza e o funcionamento da mente, alcançam a iluminação com esforço mínimo. Isso é importante! Mas, aqueles que não entendem ou desconhecem a natureza da mente e seu funcionamento, praticam em vão. Isso também é importante: dar-se conta disso – porque todas as coisas boas e más vêm da própria mente [em certo sentido, claro].

– Como contemplar a mente? Como conhecer a mente? Como estudar ou investigar a própria mente? Devemos agir, fazer e proceder da mesma forma como faz um cientista que passa anos e anos estudando, por exemplo, os hábitos e comportamento dos macacos na África. São pacientes trabalhos anônimos de observação direta, oculta, disfarçada, na floresta, sem que ele julgue, critique, interfira ou queira fazer parte do grupo de macacos que está a observar e a estudar.

Ele apenas observa e anota tudo o que vê, tudo o que fazem; observa o comportamento dos macacos e, depois de muitos anos de perfeita observação, e cadernos de anotações diárias, este estudioso-cientista pode começar a tirar algumas conclusões concretas; não antes disso.

Quando alguém penetra profundamente na sabedoria perfeita, sabe que os quatro elementos e as cinco trevas são destituídas de natureza própria. O que quer dizer isso? Os quatro elementos na natureza todos nós já conhecemos. As cinco trevas é uma expressão bastante conhecida e utilizada dentro do Buddhismo; significa os cinco sentidos.

Esses quatro elementos, que formam a natureza, mais as cinco trevas ou os cinco sentidos, são destituídos de uma natureza própria, assim diz o Buddhismo. Em Gnose sabemos que os quatro elementos possuem composições específicas, mas isso não é o tema dessa noite.

Aquele que penetra profundamente na “sabedoria perfeita”, percebe que a atividade da sua mente tem dois aspectos: puro e impuro.

Por sua verdadeira natureza, esses dois estados mentais estão sempre presentes durante todos os momentos de nossa vida; se alternam como causa ou efeito, dependendo das condições.

A mente pura se compraz, se alegra, se dedica, vive refugiada sempre em bons e nobres pensamentos e atos. Já a mente impura, vive sempre identificada, voltada, pensando sempre no mal, nas coisas negativas ou nisso que chamamos de mal.

A advertência que nos fazem os Buddhas é que aqueles que não são afetados pela impureza, são sábios – porque aprenderam a se desligar dessas cinco trevas; aprenderam a governar sua mente; não permitem que sua mente seja batida, atropelada ou conduzida pelos sentidos.

Portanto, resumindo, esses que aprenderam a manter sua mente voltada ou focada nisso que denominamos de reto pensar, nessa condição poderão transcender o sofrimento e experimentar a felicidade do Nirvana. Já os demais, a humanidade inteira, as pessoas comuns e correntes, que não são adeptas desses estudos, que nem remotamente suspeitam do que é a vida, os processos da vida e da natureza, esses são enganados pela mente impura e acabam enredados no seu próprio karma – karma esse formado pelo mau uso da sua mente. Esses se deixam levar através dos três reinos existenciais e sofrem inúmeras aflições e tudo porque suas mentes impuras obscurecem a consciência.

Existem um Sutra, chamado o Sutra das dez etapas , que diz o seguinte em uma determinada passagem que transcrevemos aqui: “No corpo dos mortais está contida a natureza indestrutível do Buddha, a consciência cósmica. Portanto, como um sol, sua luz preenche o espaço sem fim, mas, se esta consciência fica ocultada pelas nuvens escuras das cinco trevas, os cinco sentidos, é como colocar a luz dentro de um jarro; colocar uma vela dentro de um jarro não irradia nenhuma luz para nenhuma direção; ilumina apenas o próprio interior do jarro”.

Isso merece profundas reflexões! O que são as nuvens? Sabemos que em simbologia gnóstica as nuvens representam os pensamentos; nuvens escuras nem é preciso enfatizar que classe de pensamentos representam.

Outro ensinamento do Senhor Buddha, contido no Sutra do Nirvana , diz: “Todos os mortais têm a natureza de Buddha, mas essa natureza está coberta pela escuridão, da qual não podem esquecer”.

Lembrando, a natureza de Buddha é a consciência. Estar consciente e fazer os outros conscientes, é o trabalho dos Buddhas.


Perceber a consciência é liberar-se. Quando alguém se conscientiza da própria consciência se libera. Hoje somos inconscientes da consciência, incrível não? Portanto, meus amigos, tudo que é “bom” tem a consciência por raiz. O termo “bom”, aqui, entenda como “reto”, “correto”. É desta raiz da consciência que cresce a árvore de todas as virtudes e o fruto do Nirvana.

Portanto, contemplar a própria mente, é entender tudo isso, é compreender tudo isso, é saber que assim é. Por outro lado, o oposto disso tudo, é ignorância. Qual vem a ser a raiz da ignorância?

A mente ignorante, a mente que está atrelada às imagens de ilusões da vida, com suas infinitas aflições, paixões, mágoas, esta mente é ou está enraizada nos três venenos.


O Buddhismo enfatiza muito esses três venenos . O primeiro é a cobiça , que traduzimos como desejos . Tudo que é desejo é pertinente à cobiça. Um dos sete pecados capitais é a cobiça; entendamos que a cobiça é formada por desejos, por milhares de desejos que estão amarrados aos cinco sentidos, às cinco trevas.


O segundo veneno, enfatizado pelo Buddhismo, é a raiva , que nós, em Gnose, traduzimos como ira . Como nasce e se forma a ira? A ira é decorrente das frustrações de desejos não atendidos ou correspondidos.

Por fim, o terceiro veneno: a ilusão. A ilusão nada mais é do que aquilo que a mente imagina que é, porém que não é; traduzimos isso como fantasias, elucubrações, projeções, imagens mentais. Isso é ilusão.

Portanto, esses três estados venenosos da mente, por si mesmos, incluem, se não todos, a maioria dos males. Esses três venenos são como árvores que têm um único tronco, mas inúmeros galhos e folhas. Cada veneno desses produz tantos males quanto folhas de uma árvore ou de um galho.

Esses venenos estão presentes em nossos seis órgãos. Os seis órgãos se referem aos cinco sentidos mais a mente. A mente é vista no Buddhismo como um sentido a mais e esse conjunto é denominado de os seis órgãos dos sentidos que são conhecidos ou denominados como seis tipos de ladrões – e realmente é isso. Porque os cinco sentidos mais a mente são os ladrões, os saqueadores de nossa atenção e consciência. Eles são também chamados de ladrões porque entram e saem pelos portais dos sentidos; cobiçam possessões sem limites; possuem desejos ilimitados; são eles que se enredam e nos enredam no mal ou naquilo que não é reto, e mascaram, se ocultam fugindo, se apresentando com uma identidade falsa, mascaram a sua verdadeira identidade.

Aprendemos que os cinco sentidos representam tudo que é importante para o ser humano; não nos é ensinado a usar a visão, o ouvido, o tato e os demais sentidos retamente. E como não nos ensinam o uso reto e correto desses cinco sentidos, são esses cinco sentidos que vão alimentar e também formar novos elementos psicológicos.

Conhecemos, dentro da Gnose, o famoso “eu olhador” – aquele eu que está sempre olhando o sexo oposto, não com pureza, mas com desejo e luxúria. Luxúria é tudo aquilo que excede a própria natureza ou necessidade ou aquilo que é natural. Olhamos a pessoa do sexo oposto com luxúria mascarada, disfarçada.

Quando nós emprestamos, ou usamos nossos ouvidos não retamente, vamos ouvir piadas, brincadeiras de mau gosto, expressões de dez sentidos diferentes. Já perceberam que o que se chama hoje de humor, humorismo, são justamente os meios adulteradores do verbo? Os humoristas que fazem outros rir com essas piadas, que não têm graça nenhuma, porque simplesmente mascaram, deturpam, especialmente o sexo; aí há um abuso do verbo do contador de histórias e do ouvido de quem se presta a apoiar [ouvir] esses adulteradores, esses que fazem mau uso do verbo.

Assim poderemos enumerar todos e cada um dos cinco sentidos que são utilizados de maneira não reta. Tudo que é não reto gera karma, sofrimento, nos aprisiona no sansara. Portanto, temos que começar o trabalho disciplinando nossos cinco sentidos, compreendendo como os cinco sentidos são usados de maneira incorreta.

– Por que os mortais são desencaminhados em corpo e mente por esses venenos ou ladrões? Porque ficam perdidos na vida e na morte, perambulam pelos estados da existência e sofrem inúmeras aflições. É por causa disso, porque usaram não retamente seus sentidos o que equivale a dizer, abusaram dos sentidos.

Todos esses sofrimentos, amarguras, aflições, gerados pelo mau uso dos cinco sentidos são como rio que corre centenas ou talvez até milhares de quilômetros, e que são alimentados constantemente com o fluxo de pequenas fontes ou afluentes. Uma dessas fontes de contaminação, talvez a pior de todas, no mundo moderno, é isso que denominamos de malícia – e no meio gnóstico pouco importância e atenção se dá à malícia.

Existe a malícia da mente, existe a malícia do verbo, do ouvido, no toque, no abraço – especialmente de uma pessoa de sexo oposto. Tudo isso deve ser vigiado atentamente, minuto a minuto ou segundo a segundo. Devemos aprender a manejar nossos cinco sentidos, melhor dizendo, os seis sentidos, retamente; é aí que começa o nosso trabalho.

Se alguém, portanto, corta a fonte de alimentação desse grande rio, que flui por milhares de quilômetros, ele seca. Portanto, devemos vigiar os cinco sentidos para secar o rio de aflições, sofrimentos e amarguras que nos mantém aprisionados nesse mundo de Sansara, nos reinos inferiores que compreende não só o mundo celular, onde vivemos hoje, mas também o mundo molecular, que é a região do limbo, e o mundo mineral, que é a região inferior do mundo – e isso forma os três reinos.

Para livrar-se, ou para nos livrarmos, das aflições definitivamente devemos buscar a liberação, transformar esses três venenos. Para transformar esses três venenos ou conjuntos devemos compreender os processos do desejo que é a cobiça, devemos compreender os processos da ira que são desejos frustrados e por fim devemos compreender o funcionamento da mente, as ilusões.


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