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Voluntários produzem vestidos e bonecas para crianças de Guiné-Bissau


Alunos e professores do curso de moda da Estácio produzem vestidos com tecidos coloridos para enviar às meninas africanas

Mais do que um objeto lúdico, a boneca possui caráter educativo e é capaz de transmitir mensagens e valores para quem a recebe. Pensando nisso, foi criado o Projeto Bunekas, iniciativa que reúne voluntários em todo o país, inclusive em Juiz de Fora, para a confecção de bonecas e vestidos para serem doados.

As crianças beneficiadas são de Guiné-Bissau, país africano onde mais de dois terços da população vivem abaixo da linha da pobreza e que registra vários casos de abuso e de trabalho infantil.

Segundo a responsável pelo projeto, Michelli Bordinhon Dezani, as bonecas buscam trabalhar a autoestima, a identificação e os cuidados com o próprio corpo.

“A gente fez questão das bonecas terem o mesmo tom de pele das meninas, dos cabelos serem muito parecidos com os cabelos delas, das roupas também serem de tecidos parecidos com os que elas usam. As bonecas vêm com calcinha, que além de trabalhar questões de higiene, serve para abordar o abuso, dizendo que a região íntima delas ninguém pode tocar. São bonecas nas quais a criança vai projetar as suas emoções, podendo ser interpretada de várias maneiras”, explica.

Michelli, que mora em Jundiaí (SP), não mediu esforços para buscar voluntários para contribuir com o projeto, tanto é que há braços em muitas regiões do país. Tem gente trabalhando na capital paulista e nos municípios de Sorocaba, Americana e Ourinhos; além de Três Lagoas (MS), Natal (RN), Anápolis (GO), Muqui (ES) e Rio de Janeiro.


Produção em JF

Em Juiz de Fora, a responsável por coordenar a produção é Fernanda Raposo Dezani Carvalho, cunhada de Michelli. Ela conta com a parceria da Igreja Metodista Itatiaia, que fica no Bairro São Pedro, Cidade Alta, e do Instituto Metodista Granbery. Ambas instituições cederam espaços para a realização das oficinas. Fernanda ainda recebeu apoio de empresas e pessoas que enviaram as doações de tecidos e outros materiais.

“Nossa meta é produzir 150 bonecas até novembro, que é quando vamos enviar a produção para Jundiaí. Temos 40 prontas, pois o grupo é pequeno. É uma boneca cheia de detalhes e com muitos significados. O cheirinho delas, por exemplo, é um repelente, mas também é uma forma de trabalhar com o olfato, para que a criança tenha memória desse momento da infância”, destaca.

As voluntárias Thalita e Fernanda coordenam a produção de vestidos e bonecas em JF    Fotos Felipe Couri

Confecção de roupas

Durante a produção das bonecas surgiu a ideia de confeccionar roupas para as crianças, como vestidos para as meninas. Foi então que apareceu outra voluntária, Thalita Freitas, que coordena a produção dos vestidos.

“A equipe de missionários relatou que a miséria era tamanha que as crianças não tinham nem roupa para vestir. Em uma campanha realizada pela igreja foi possível arrecadar 108,5 metros de tecido. São duas pessoas cortando e duas costurando. Já produzimos 80 vestidos. Também estamos finalizando o molde para fazer shorts para os meninos”, comenta.

Ela conta que os tecidos foram doados por empresas parceiras e apresentam estampas bem semelhantes às que estão presentes na cultura das meninas, e também nas roupinhas das bonecas. “Nos inspiramos na história que ouvimos quando as primeiras meninas receberam as bonecas: muitas ficaram doidas com os vestidos, e os retiraram das bonecas e tentaram vestir”. A meta é produzir 50 peças até novembro. O Projeto Bunekas também recebeu doações por meio do projeto Bem Comum, da Secretaria de Comunicação Social da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF). A iniciativa arrecadou parte dos tecidos utilizados na confecção dos vestidos e das bonecas, oriundos de empresas parceiras que fabricam tecidos na cidade.

Para dar uma força à produção, parte dos vestidos está sendo confeccionada por alunos do curso de Moda do Centro Universitário Estácio de Juiz de Fora. O trabalho acontece no ateliê do curso, que funciona na própria instituição.

“O ateliê tem essa proposta de trabalhar com projetos sociais, e quando este chegou, logo foi abraçado. Já temos as diretrizes e moldes na padronização P, M e G. Em cima do tecido indicado pudemos criar e fazer algo mais lúdico, que desperte nas meninas o desejo de usar o vestido e se sentirem bem, e não apenas uma roupa para usar por não ter outra coisa para vestir”, explica a professora e coordenadora do Ateliê, Ana Paula Calixto.


Onde tudo começou

O interesse em ajudar as crianças africanas começou por intermédio do marido de Michelli, médico que integra a equipe de voluntários da Agência de Saúde das Nações (ASN), que leva atendimento médico e odontológico a países da África.

“Na sua primeira missão no país, em janeiro deste ano, ele relatou que as meninas não tinham o costume de brincar, diferente dos meninos. Na cultura da Guiné-Bissau, cabe a mulher fazer o trabalho braçal, e as meninas acompanham o serviço das mães. Isso me chamou atenção, pois o brincar é a fase onde a criança desperta sua criatividade, e um ser humano sem criatividade não consegue chegar muito longe, pois é na adversidade da vida que conseguimos vencer. Uma menina que recebe esse tipo de informação pode se tornar uma mulher diferente”, ressalta Michelli, que é psicóloga.

A ideia é entregar, para cada menina, um kit contendo uma boneca, um vestido e duas calcinhas. As peças íntimas, segundo ela, também foram frutos de doações. “Para os meninos vamos mandar uma bola, pois eles brincam muito de futebol, mas na primeira entrega que fizemos lá, alguns se interessaram pela boneca. Em alguns locais estamos confeccionando bonecos também.” O projeto visa levar mil kits como este a meninas de 5 a 15 anos de idade.


Por Bárbara Riolino​



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