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As fazendas urbanas que estão inovando a produção de alimentos

Em plena capital paulista, jovens empreendedores adaptam o método de produção indoor e criam a primeira lavoura vertical em escala comercial do Brasil

A poucos metros da Marginal Tietê, em São Paulo, a via mais movimentada do Hemisfério Sul, em meio ao barulho ensurdecedor de motos, carros e caminhões, está brotando um negócio totalmente incomum ao ambiente urbano: uma fazenda, sem porteira, sem cercas de madeira nem terra.

A safra de hortaliças cresce dentro de um galpão, onde há uma estrutura com oito níveis (em cada um, as plantas são tratadas com tudo o que precisam para a fase de desenvolvimento) e 7 metros de altura. É a primeira fazenda vertical urbana e comercial da América Latina, com cerca de 200 metros quadrados de área produtiva. O negócio hi-tech se enquadra em boa medida ao sistema hidropônico, mas tem adaptações.

As plantas são cultivadas em um ambiente totalmente controlado, fechado, e alimentadas por luzes de LED azul e rosa, que simulam a luz do sol e aceleram a fotossíntese. Água e adubo são fornecidos em doses exatas e os agrotóxicos são dispensados nesse sistema.

As pessoas que entram no local precisam vestir toucas, máscaras, botas ou protetores de calçados – tudo para evitar a contaminação das plantas. A produção é 100% orgânica: entra na fazenda em forma de semente e sai embalada, pronta para consumo, sem necessidade de lavagem e quase nenhum contato humano. As alfaces que aparecem na foto de capa e nesta reportagem não retornaram ao sistema: foram descartadas após a sessão de fotos.



Por causa das cores predominantes, o negócio foi batizado de Pink Farms. A empresa foi criada por três jovens empreendedores: Geraldo Maia, de 28 anos, engenheiro de produção, e os gêmeos Mateus e Rafael Delalibera, de 30, ambos formados em engenharia elétrica. Antes de iniciarem o primeiro plantio em escala, ao final de abril, eles passaram ao menos três anos pesquisando e testando o modelo e, quando encontraram a fórmula ideal, ainda tiveram de vencer a burocracia, devido ao ineditismo do negócio.

“A gente teve de passar por um longo processo para ter uma empresa de agricultura dentro de São Paulo. A cidade não previa que haveria um CNPJ puramente agrícola e de sociedade anônima, por isso pedimos um novo enquadramento de atividade e passamos por várias áreas. Demorou um ano na prefeitura”, conta Geraldo. “Abrimos o caminho. Agora, qualquer empresa que quiser fazer isso aqui já está aprovada”, complementa Mateus.

O trio decidiu criar o negócio em 2016, após uma curta passagem por startups. Eles tinham em comum a vontade de ter a sua própria empresa de inovação, mas numa área diferente e pouco explorada no Brasil. “Discutimos o que poderíamos fazer. Percebemos que aqui os negócios estão muito focados em serviços, e-commerce e marketplace. Já a parte de novas tecnologias, o desenvolvimento de novos processos, produtos, coisas físicas, não são muito fortes, e era o que mais nos interessava fazer”, conta Rafael.

A ideia de entrar no mundo das agtechs, as startups do agro, veio de uma pesquisa feita por Mateus sobre a “open agriculture”, uma espécie de comunidade internacional que busca acelerar a inovação agrícola digital, com tecnologia e sustentabilidade, e promove a experimentação, educação e compartilhamento em rede. “Achamos muito interessante e juntava com a parte que nós três tínhamos contato, que era o meio agropecuário”, diz Rafael. Ele e o irmão são netos de produtor rural e Geraldo tem primo e tio ligados ao setor.

Os três mergulharam de cabeça no projeto. Pesquisaram o que estava sendo feito mundo afora até que conheceram o método de produção agrícola indoor, em ambiente controlado, no Japão. Estudaram toda a (pouca e recente) literatura disponível sobre o assunto e partiram para a prática. No início de 2017, decidiram investir R$ 100 mil para montar uma fazenda vertical piloto, de 20 metros quadrados. Alugaram uma sala em Jundiaí (SP) e lá fizeram uma espécie de laboratório. Foi também o ponto de partida para pensar em alavancar a produção em escala comercial. Mas havia um empecilho: o preço da tecnologia. Os painéis de LED precisariam ser importados e custariam de R$ 4 mil a R$ 4.500 o metro quadrado, o que inviabilizaria o negócio.

Colocaram as três mentes de engenheiros para pensar e, ao se aprofundarem na tecnologia, descobriram que o imposto para a importação das luminárias era muito maior em relação ao da importação dos LEDs em componentes fragmentados. “Assim conseguimos construir o projeto especificamente para nosso uso, utilizando o conhecimento que tínhamos. Ganhamos eficiência e cortamos intermediários”, diz Rafael. Com a estratégia, a primeira versão do sistema caiu para R$ 550 o metro quadrado.

Na estrutura de Jundiaí, os engenheiros testaram tudo o que foi possível – temperatura, umidade, CO2, potência das luzes, etc. – e, quando chegaram à fórmula perfeita, os resultados surpreenderam. As alfaces produzidas no ambiente controlado finalizaram o ciclo entre 35 e 40 dias, da fase inicial à colheita. No campo, segundo pesquisa feita pelos empreendedores, o tempo varia de 55 a 70 dias, considerando o plantio de mudas pequenas. Com mudas maiores, no campo, as alfaces ficam prontas para consumo em 40 dias, em média. “Estamos falando de 11 a 12 ciclos (safras) por ano, comparado a seis, sete a céu aberto”, diz Rafael.

“É como se tivéssemos aqui oito hortas de chão, uma em cada nível, e muito mais produtivas, porque nesse método conseguimos explorar todo o potencial da planta”, resume Geraldo.

Depois da validação tecnológica, os três empreendedores foram buscar investidores e, em seis meses, conseguiram levantar R$ 2 milhões de dois fundos de capital de risco. O valor viabilizou a construção da fazenda vertical em São Paulo, que nesta primeira fase prevê colher 135 toneladas de hortaliças, e fez crescer a equipe. Hoje, dez pessoas trabalham na Pink Farms, incluindo um agrônomo. A primeira safra, colhida em maio, foi de microgreens, miniplantas usadas em decoração de pratos e receitas, e está sendo vendida em alguns empórios.


Por: Cassiano Ribeiro

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