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Uma tonelada de sementes é lançada em reserva


Cacho da Palmeira-Juçara. Foto: Saulo Souza

Fundação Florestal testou a ação na RDS Quilombo Barra do Turvo como parte do Programa de Conservação da Palmeira-Juçara.

Um projeto piloto da Fundação Florestal realizou o lançamento aéreo de sementes da Palmeira-Juçara na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Quilombo Barra do Turvo, extremo sul do Vale do Ribeira. NO dia 16 de dezembro de 2020, uma tonelada de sementes foi espalhada em cinco sobrevoos de helicóptero com o objetivo de repovoar a espécie, inicialmente, em uma área de 20 hectares – o equivalente a 20 campos de futebol.

Segundo o pesquisador científico do Instituto Florestal, Ocimar Bim, a fase de teste foi dividida em três partes, cada uma com um hectare. “Cada fragmento possui 20 subparcelas de 100 m², onde foram instalados coletores de 2m² para a captação das sementes lançadas”, explicou.

Os critérios para escolha da área incluem facilidade de acesso para avaliação posterior; além de ausência dessa espécie de palmeira no perímetro. A Fundação Florestal tem a expectativa de reaplicar a técnica conhecida como “chuva de sementes” para repovoar, em 10 anos, 48 mil hectares nas Unidades de Conservação com a Juçara, planta que serve de alimento para mais de 68 espécies de animais.

O Programa de Conservação da Palmeira-Juçara foi criado pela Fundação Florestal diante da exploração ilegal e ameaça de extinção desta palmeira.

“Esta é mais uma ação em prol da retomada da espécie na Mata Atlântica. Os animais que se alimentam de seu fruto acabam levando as sementes para áreas distantes o que aumenta o seu potencial de disseminação nos nossos remanescentes florestais”, explica o gestor da RDS Quilombo Barra do Turno, Wagner Portilho.

Cada tonelada do insumo representa uma quantidade de um milhão de sementes dispersas. Elas foram colhidas em abril deste ano no município de Sete Barras e permaneceram em câmara fria.

A Reserva de Desenvolvimento Sustentável Quilombos de Barra do Turvo possui 5,8 mil hectares e contempla três territórios quilombolas formados por povos remanescentes de comunidades tradicionais que se estabeleceram no local desde o século XIX, por volta de 1820.


Sobre a Palmeira-Juçara

A preservação da Juçara está diretamente ligada à manutenção da biodiversidade da Mata Atlântica. Sua semente e seu fruto servem de alimento para mais de 68 espécies, entre aves e mamíferos. Tucanos, jacutingas, jacus, sabiás e arapongas são os principais responsáveis pela dispersão das sementes, enquanto cotias, antas, catetos, esquilos e muitos outros animais se beneficiam das suas sementes e frutos.

No entanto, a exploração ilegal e predatória do palmito, muitas vezes praticada de forma organizada, ameaça a sobrevivência da espécie e, consequentemente, dos ecossistemas associados, principalmente nas Unidades de Conservação.


Por Natasha Olsen | Redação Ciclo Vivo


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