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Intervenção no Rio de Janeiro (RJ) deve favorecer expansão do Primeiro Comando da Capital (PCC), diz

  • Wellington Ramalhoso
  • 17 de fev. de 2018
  • 2 min de leitura

Considerada uma das principais pesquisadoras da violência no Rio de Janeiro (RJ), a antropóloga Alba Zaluar, professora do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), disse ter medo da decisão do governo federal de intervir no Rio de Janeiro (RJ) e afirmou que a medida pode reforçar a expansão das ações do Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa com origem em São Paulo (SP).

“Um dos efeitos da intervenção deverá ser o estrangulamento do Comando Vermelho (CV) [organização criminosa criada no Rio de Janeiro]. Isso vai ajudar o Primeiro Comando da Capital (PCC) [rival do Comando], que crescerá mais”, comentou a pesquisadora.

O Primeiro Comando da Capital (PCC) vem se espalhando pelo território nacional e travando batalhas com grupos rivais como o Comando Vermelho (CV), demonstrado o fracasso do Brasil no combate a essas facções. “Essas organizações estão expandindo seus negócios e se transformando em máfias e cartéis, como aconteceu na Itália e na Colômbia”, ressaltou Alba Zaluar.

A professora criticou o presidente Michel Temer (PMDB) pela declaração de que o crime organizado “quase tomou conta do Estado do Rio de Janeiro” e “é uma metástase que se espalha pelo país e ameaça a tranquilidade do nosso povo”.

“O presidente diz que o câncer está no Rio de Janeiro (RJ). O Rio de Janeiro é o 12º Estado da Federação em termos de índice de homicídios [100 por mil habitantes]. Então, por que este estado seria a origem do crime que está espalhado pelo país?”

“SÓ INTELIGÊNCIA E INVESTIGAÇÃO RESOLVEM”

“Recebi a notícia da intervenção com espanto. É uma cortina de fumaça para esconder problemas que o país está enfrentando”, avaliou. “Provavelmente, a intervenção vai trazer a mesma sensação de alívio de outras ações do Exército no Rio de Janeiro (RJ) e melhorar a percepção de segurança, mas isso nem resolve”.

Para a pesquisadora, o Brasil nem valoriza a investigação policial. “O problema é a incapacidade que temos de combater com inteligência o alto poder de corrupção do crime. Cada intervenção dessas é caríssima. E depois voltamos à situação anterior. O que adianta é investir mais em polícia investigativa para saber como as armas e drogas chegam com facilidade Brasil afora e como as organizações criminosas se fortalecem dentro das prisões e comandam o crime lá de dentro”.

RISCO DE GUERRA CIVIL?

A antropóloga lamentou que especialistas em segurança pública nem sejam chamados pelo governo para discutir o assunto e disse temer o aprofundamento da violência.

“É muito espantoso, tenho medo. A gente nem sabe o que vai ser feito depois disso. Vão intervir em outros Estados? Haverá ocupação com mortes nos morros do Rio de Janeiro (RJ)? Aí vai ser uma guerra civil. Os ânimos já estão muito por causa dos confrontos entre traficantes e polícia”.

Na opinião de Alba Zaluar, o país precisa acabar com as políticas de guerra às drogas e de encarceramento em massa. “Enquanto tiver isto, ninguém vai ter sossego”, vaticinou.

Por: Wellington Ramalhoso, do uol, em São Paulo (SP)

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