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Afastado do Ministério Público desde 2012, Demóstenes recebeu R$ 2,6 milhões sem trabalhar

Foto do escritor: A Folha do Vale - Jornal e Site
A Folha do Vale - Jornal e Site
21 de jun. de 2017
2 min de leitura

Desde que foi afastado das atividades no Ministério Público, em outubro de 2012, o ex-senador Demóstenes Torres (GO) já recebeu R$ 2,6 milhões sem trabalhar, considerando-se o salário de procurador mais os benefícios como gratificações natalinas e férias, além de indenizações e outros pagamentos extras. Uma média de R$ 45 mil por mês.


Como mostrou ontem o Congresso em Foco, ele vai pedir ao Senado para que anule sua cassação por envolvimento com Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, porque a Justiça considerou nulos os grampos telefônicos que embasaram os processos criminais e o seu julgamento político. Inelegível até 2027, o ex-senador quer retomar o direito de se candidatar já em 2018 a uma vaga na Câmara dos Deputados. As chances de o Senado considerar o pedido, porém, são mínimas.


Em nome da mulher, Flávia Coelho Torres, o ex-senador abriu um restaurante e um escritório de advocacia, ambos em bairros nobres de Goiânia. A preferência de Demóstenes pela advocacia tem muito a ver com a rejeição que ele enfrenta entre os colegas do MP-GO. Em agosto de 2012, 82 promotores de Justiça, procuradores do Trabalho e procuradores da República em Goiás assinaram manifesto pedindo ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), em caráter liminar, o afastamento dele em razão das acusações que o derrubaram no Senado.


O Ministério Público goiano é comandado atualmente pelo procurador Benedito Torres, irmão de Demóstenes. A relação entre os dois ficou abalada desde o escândalo do caso Cachoeira. Segundo relatos de amigos, o ex-senador cassado não perdoou até hoje as declarações dadas na época pelo irmão na tentativa de se distanciar das denúncias. Na ocasião, Benedito também era o procurador-geral de Justiça de Goiás, cargo que exerceu pela primeira vez entre 2011 e 2013.


Também citado em gravações telefônicas, o procurador-geral de Justiça teve processo disciplinar arquivado pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) em 2013. Prevaleceu entre os conselheiros o entendimento de que os autos não traziam indícios de que ele cometera falta funcional. O irmão do ex-senador foi inocentado pelo TJ-GO em dezembro de 2012.


Depois de deixar a Procuradoria-Geral de Justiça, Benedito emplacou um aliado como sucessor e foi eleito presidente da Associação Goiana do Ministério Público (AGMP) por três vezes. Em fevereiro deste ano, teve a maior votação na lista tríplice do MP-GO e foi alçado novamente ao cargo pelo governador Marconi Perillo. Um das propostas de Benedito para o novo mandato é ampliar o combate à corrupção e ao crime organizado, reforçando a equipe responsável pelas investigações e a estrutura nessa área.


Em seu escritório, Demóstenes também tem recebido políticos. Em maio, o vereador mais antigo da Câmara de Goiânia, Anselmo Pereira (PSDB), ex-presidente da Casa, o visitou “em encontro amigável para discutir assuntos da Região Metropolitana”, conforme divulgou o tucano nas redes sociais. O vereador é mais um entusiasta da volta do ex-senador à política. Anselmo abrigou parte da equipe de Demóstenes na Câmara Municipal depois da cassação no Senado.

Por: Congresso Em Foco










 
 
 

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