O mundo “civilizado” e suas concepções esteriotipadas em torno das populações indigenas
Em pleno século XXI, há ainda quem acredite que os povos indígenas constituem uma classe social que detém uma posição de “inferioridade” em relação à chamada sociedade “civilizada”. É óbvio que nem todo mundo compactua desta visão; mas também não se pode negar que há muita gente por aí que compartilha de tal pensamento.
Isto certamente decorre de dois fatores principais, a saber: o preconceito e a desinformação. Ora, sabe-se que, desde os primórdios da colonização portuguesa, difundiu-se pelo território brasileiro uma imagem distorcida acerca daquelas populações, concebendo-as como “primitivas” e “atrasadas”.
Ao adotarem tal discurso, pretendia-se justificar o processo de dominação cultural que, logo mais, haveria de se impor sobre aqueles povos, sob o pretexto de torna-los “civilizados”. Na verdade, tratou-se aí de uma estratégia que, em última instância, visava camuflar as verdadeiras intenções dos colonizadores, cujos interesses estavam relacionados à exploração das riquezas naturais existentes nesta Terra de Santa Cruz.
A fim de levarem adiante seu projeto colonialista, os recém-chegados ao novo continente não hesitaram em pegar em armas para enfrentar a resistência oferecida pelos autóctones, promovendo-se o extermínio de mais de cinco milhões de índios que aqui viviam[1]. Também contaram com o apoio dos missionários católicos, que se dispuseram a convertê-los à fé cristã, a fim de “salvar” suas almas e de integrá-los à sociedade envolvente.
Neste sentido, há de se destacar aqui os trabalhos realizados pelos padres jesuítas, responsáveis pelo intenso processo de catequização e de aculturação dos autóctones. Após mais de cinco séculos de negação dos seus valores e saberes culturais, como haveríamos de esperar um posicionamento diferente daquele manifestado pela maioria dos nossos pares em relação àqueles povos?
Portanto, fica aí o desafio de tentarmos enxerga-los para além dos estereótipos que, infelizmente, ainda pairam sobre o imaginário coletivo acerca dos primeiros habitantes destes territórios nos quais estamos situados...

Autor: Anderson Martins
Formado em Filosofia pela Faculdade Jesuíta (Belo Horizonte), com especialização em Metodologia do Ensino de Filosofia pela Faculdade da Lapa (Curso EAD) e está concluindo o Mestrado em Educação pela Universidade Federal de Mato Grosso. Trabalha como professor junto ao Instituto Federal de Mato Grosso – Campus Juina.
[1] VEIGA, Cynthia Greive. História da Educação. São Paulo: Ática, 2007, pp. 55 e 56.




































































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