Silval diz que não cometeu irregularidades sozinho e detalha esquemas corruptos

Ao fim da série de depoimentos à Controladoria-Geral do Estado (CGE), o ex-governador Silval Barbosa (sem partido) disse continuar à disposição para contribuir com as investigações do órgão, que apura suspeita de irregularidades cometidas por empresas e servidores públicos na administração passada.
A investigação, instaurada em novembro do ano passado, teve como principal fonte o acordo de colaboração premiada (delação) do ex-gestor, que citou mais de 90 empresas que teriam algum tipo de envolvimento com os esquemas de corrupção realizados pela organização criminosa que liderou nos anos em que esteve no comando do Palácio Paiaguás.
Na tarde desta quinta-feira (18/01), Silval Barbosa conversou com a imprensa que aguardava na porta da sede da Controladoria Geral do Estado (CGE). Disse que tomou a decisão de delatar tais esquemas para por fim ao argumento de que tudo de errado na gestão estadual tinha ligação exclusiva a ele.
“Eu nem estou querendo atribuir coisas que pessoas não fizeram. Somente estou colaborando com a Justiça e relatando as situações erradas que foram cometidas e quem se beneficiou. De empresários a políticos”, declara.
De acordo com o político, ele espera que, com tal postura, o sistema de corrupção instaurado no setor público do Estado acabe, assim como a ideia de alguns políticos e empresários de que poderão usufruir das benesses do poder público de forma errada, sem qualquer penalidade.
“Para que num futuro próximo isso [a corrupção] nem aconteça mais. E aqueles que estão num cargo também não se sujeitem através de extorsão e pressão para ceder a esse tipo de coisa”, pontua.
INVESTIGAÇÃO ADMINISTRATIVA
De acordo com a secretária-adjunta da Controladoria Geral do Estado (CGE),, Cristiane Laura de Souza, Silval se colocou à disposição do órgão para prestar esclarecimentos. As declarações, segundo ela, ajudarão na averiguação de indícios de autoria e materialidade de envolvimento em ilícitos de pessoas jurídicas (empresas) ou servidores do Poder Executivo.
“A intenção é investigar, por exemplo, o pagamento de propina, fraudes em licitação e contratos. Aliciamento de servidores”, diz.
No âmbito administrativo, a punição para as empresas que tenham cometido algum tipo de irregularidade, pode ser, por exemplo, o de divulgar que sofreu essa sanção pela administração, sofrer uma multa de 0,1% a 20% sobre o faturamento bruto do ano anterior a instauração do processo.
Além de ter que ressarcir todo o valor do dano ao erário e o impedimento de contratar com a administração pública. Já os servidores eventualmente envolvidos podem ser penalizados por uma repreensão e até serem demitidos.
Por: Airton Marques



































































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