Juiz cita periculosidade para manter prisão de cabo em MT

A Justiça de Mato Grosso negou nesta sexta-feira (2) o pedido de substituição da prisão preventiva feito pela defesa do cabo da PM Gerson Corrêa Junior, preso por suposto envolvimento no escândalo dos grampos clandestinos. No voto, o juiz Murilo Mesquita, titular da 11ª Vara de Criminal de Cuiabá, citou a periculosidade do réu e a gravidade dos crimes imputados a ele.
O esquema clandestino foi denunciado em maio de 2017. Desde então, Gerson está preso.
Ele é o único dos cinco militares denunciados pelo Ministério Público Estadual (MPE) por envolvimento no esquema que ainda está preso. O voto do juiz foi seguido pelo Conselho de Sentença, formado por quatro juízes militares, que são coronéis da PM.
No pedido, a defesa alega falta de isonomia entre os réus. Além disso, os advogados apontam que todas as testemunhas de acusação já foram ouvidas. Desta forma, não há motivo para manter a prisão preventiva baseada no risco que elas supostamente correm.
Para o magistrado, ainda estão vigentes os motivos necessários para a manutenção da prisão do cabo Gerson. Entre eles, o juiz cita a manutenção da ordem pública e a periculosidade do réu. “Há de se notar que o cabo Gerson não está em condições isonômicas dos mesmos réus. Além disso, testemunhas afirmaram que temem a saída do réu”, afirmou o juiz.
Os PMs são acusados de fazerem parte de um esquema de espionagem, entre outubro de 2014 e agosto de 2015. Centenas de pessoas que não eram suspeitas de terem cometido crimes foram espionadas, entre elas jornalistas, uma deputada de oposição, médicos, servidores públicos, empresários, advogados e um desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.
Os grampos foram operados pos policiais militares por meio de um fictício Núcleo de Inteligência, numa suposta investigação sobre a participação de policiais em tráfico de drogas. Porém, a polícia pediu à Justiça a autorização para quebrar o sigilo telefônico de pessoas que não tinham nada a ver com essa apuração.
Apenas o inquérito contra os militares tramitam na Justiça estadual. Desde outubro do ano passado, o esquema está sendo investigado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A decisão de tirar o processo das mãos do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) atendeu aos pedidos feitos pelo governador Pedro Taques (PSDB) e pelo Ministério Público Federal (MPF).
Com isso, todas as diligências e depoimentos que até então ocorriam sob a relatoria do desembargador Orlando Perri, no TJMT, passaram a tramitar sob a supervisão do ministro Mauro Marques, do STJ.
Por: G1




































































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