A educação escolar como instrumento de colonização étnico-cultural
Um dos maiores educadores deste país costumava dizer que o ensino escolar pode servir tanto para a “emancipação” do sujeito, como também é capaz de resultar no seu processo de “alienação”. Referimo-nos aqui às contribuições deixadas pelo filósofo Paulo Freire (1921-1997), declarado pela Presidência da República como Patrono da Educação Brasileira[1].

Ao olharmos para a história dos povos indígenas, percebe-se que as diferentes propostas de educação que foram incorporadas ao seu cotidiano não concorreram para o fortalecimento da sua autonomia.
Pelo contrário, todas as iniciativas relacionadas ao campo educacional estiveram sempre atreladas a um viés “colonialista”, no sentido de que as práticas pedagógicas aplicadas ao contexto indígena visavam simplesmente integrá-los à sociedade envolvente.
Em nossa região, por exemplo, existem vários grupos étnicos que num passado não muito distante foram submetidos à formação jesuítica, por ocasião da sua passagem pelo Internato de Utiariti (Sapezal), cujas experiências ficaram marcadas pelo processo de homogeneização cultural. Deste modo, pretendia-se libertar os autóctones dos seus traços culturais, considerados pelos missionários como “primitivos”, a fim de inseri-los na chamada sociedade “civilizada”.
A partir da promulgação da nova Constituição Federal, houve uma grande mudança em relação ao tipo de tratamento dispensado àquelas populações, passando-se a reconhecer os seus costumes, línguas, crenças, tradições e a sua organização social (Art. 231). Enfim, esse dispositivo legal permitiu aos respectivos povos o direito de continuarem a viver como “índios”, tornando-se os protagonistas da sua própria história!

[1] Lei nº 12.612/2012, proposta pela deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP) e sancionada pela Presidente Dilma Rousseff.
Autor: Anderson Martins
Formado em Filosofia pela Faculdade Jesuíta (Belo Horizonte), com especialização em Metodologia do Ensino de Filosofia pela Faculdade da Lapa (Curso EAD) e está concluindo o Mestrado em Educação pela Universidade Federal de Mato Grosso. Trabalha como professor junto ao Instituto Federal de Mato Grosso – Campus Juína.




































































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